terça-feira, 12 de maio de 2009


Luíza, casta, anda pálida.
Pernas bem fechadas
e cabelo preso tipo princesa.

Luíza lava roupa e sobe a ladeira num tom negro-pastel.
Minúcias equilibradas nos dedos dos pés.
Luíza assusta-se com a brincadeira dos meninos,
Luíza assusta os meninos
assusta bola, peteca.

Eu me perco nos volumes abafados de seu vestido
imagino Luíza gritando
- Grita Luíza!
Luíza é muda.
Luíza é casta
Luíza nunca usou uma jóia e dificilmente muda de expressão.

Luíza não tem pai, bem que Luíza podia ser minha...
e eu iria me deter eternamente à entrega das cartas e
salivar Luíza como se Luíza fosse um pãozinho das festas de Cosme.


No dia que minha ela fosse
usaria um vestido pintado por Monet.
e riria entre os minúsculos dentes
um poema perfeito como panela de índio.

6 comentários:

Amanda disse...

Quero você de volta!
Se esse teu sumiço desse paralelo sem fim é pelo motivo que eu acho que é... eu te proíbo, viu?
Lindo esse texto. Como tudo que é seu.

Mamá disse...

As cores se misturam aqui.
Um brilho forte tem aqui. Forte, tão forte, que emana vermelho. Mas é forte, tão forte, que as vezes se derrama cinza. Como se cada palavra pintasse um quadro em meus olhos.
É lindo,tão lindo, que é poesia, mas é lindo tão lindo que é poesia de Rayara.

Julio disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Julio disse...

Linda poesia Ray!

Murilo Almeida disse...

Gostei do espaço.

Quanto a Luíza, ela existe em mim, sem dúvida.

Andreia disse...

Gostei muito do blog!
Vou guardar :)