Luíza, casta, anda pálida.
Pernas bem fechadas
e cabelo preso tipo princesa.
Luíza lava roupa e sobe a ladeira num tom negro-pastel.
Minúcias equilibradas nos dedos dos pés.
Luíza assusta-se com a brincadeira dos meninos,
Luíza assusta os meninos
assusta bola, peteca.
Eu me perco nos volumes abafados de seu vestido
imagino Luíza gritando
- Grita Luíza!
Luíza é muda.
Luíza é casta
Luíza nunca usou uma jóia e dificilmente muda de expressão.
Luíza não tem pai, bem que Luíza podia ser minha...
e eu iria me deter eternamente à entrega das cartas e
salivar Luíza como se Luíza fosse um pãozinho das festas de Cosme.
No dia que minha ela fosse
usaria um vestido pintado por Monet.
e riria entre os minúsculos dentes
um poema perfeito como panela de índio.

6 comentários:
Quero você de volta!
Se esse teu sumiço desse paralelo sem fim é pelo motivo que eu acho que é... eu te proíbo, viu?
Lindo esse texto. Como tudo que é seu.
As cores se misturam aqui.
Um brilho forte tem aqui. Forte, tão forte, que emana vermelho. Mas é forte, tão forte, que as vezes se derrama cinza. Como se cada palavra pintasse um quadro em meus olhos.
É lindo,tão lindo, que é poesia, mas é lindo tão lindo que é poesia de Rayara.
Linda poesia Ray!
Gostei do espaço.
Quanto a Luíza, ela existe em mim, sem dúvida.
Gostei muito do blog!
Vou guardar :)
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