Luíza, casta, anda pálida.
Pernas bem fechadas
e cabelo preso tipo princesa.
Luíza lava roupa e sobe a ladeira num tom negro-pastel.
Minúcias equilibradas nos dedos dos pés.
Luíza assusta-se com a brincadeira dos meninos,
Luíza assusta os meninos
assusta bola, peteca.
Eu me perco nos volumes abafados de seu vestido
imagino Luíza gritando
- Grita Luíza!
Luíza é muda.
Luíza é casta
Luíza nunca usou uma jóia e dificilmente muda de expressão.
Luíza não tem pai, bem que Luíza podia ser minha...
e eu iria me deter eternamente à entrega das cartas e
salivar Luíza como se Luíza fosse um pãozinho das festas de Cosme.
No dia que minha ela fosse
usaria um vestido pintado por Monet.
e riria entre os minúsculos dentes
um poema perfeito como panela de índio.









































