terça-feira, 12 de maio de 2009


Luíza, casta, anda pálida.
Pernas bem fechadas
e cabelo preso tipo princesa.

Luíza lava roupa e sobe a ladeira num tom negro-pastel.
Minúcias equilibradas nos dedos dos pés.
Luíza assusta-se com a brincadeira dos meninos,
Luíza assusta os meninos
assusta bola, peteca.

Eu me perco nos volumes abafados de seu vestido
imagino Luíza gritando
- Grita Luíza!
Luíza é muda.
Luíza é casta
Luíza nunca usou uma jóia e dificilmente muda de expressão.

Luíza não tem pai, bem que Luíza podia ser minha...
e eu iria me deter eternamente à entrega das cartas e
salivar Luíza como se Luíza fosse um pãozinho das festas de Cosme.


No dia que minha ela fosse
usaria um vestido pintado por Monet.
e riria entre os minúsculos dentes
um poema perfeito como panela de índio.

Os amantes


No namoro: preservativo.

No casamento: Uma obra de René Magritte.


Entre a alma e o externo, apenas o corpo: apertando.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sobre a demora e pouca produtividade.


Hibernando...


Segurando a liberdade em uma das mãos e na outra um furacão.

Ele me diz:

- A beleza é desleal.
- Naturalmente.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Não me pergunte sobre.


Engravidei de Dalí e pari borboletas derretidas.

Que logo partiram na primeira bolinha de sabão.

30 de abril de dois mil e nove - passados 6 anos.

Hoje é o meu último dia aqui.

Estou deixando um cartão de funerária no teclado e alguns papéis sem resolver.

Deixando minha sala limpa

E um post it amarelo com uma dica: "Manoel Bandeira".

Querido diário, ano 20.


Ontem destruí um guarda-chuva, um filtro dos sonhos e uma caixa de lápis de cor.
E não consegui desobstruir meu narguilê.
Peguei um martelo, acabei com lenços e tapetes.
Fiz um corte de dez centímetros na coxa, e outros menores na mão.
Tirei meu macacão azul e já ia dormir me sentindo uma inútil..

Daí o vizinho põe pra fora um ventilador quebrado.
Olho pro meu, também quebrado.

Retiro peças. São diferentes.
Desmonto até o final.
Pego uma faca enorme de cozinha, uma tesoura, um arame e um isqueiro.
Adapto pra caber.
Corto aqui e ali enquanto Bianca reclama da luz.

Resultado:
Fui dormir ventilada-sorrindo-feliz, útil, com minhas três estrelinhas de fofura.

Dia-de-Dan.


É. Começa meia noite.

O dia acordou bonito e a lua vem.

De noite, a terra quente de tanto sol

Vai ferver menino, vai corroer tanto..

Que corpos dançarão em carne viva

Enquanto o animal saliva, pensando em sal.





terça-feira, 28 de abril de 2009

Escape da gripe com Grife!


Máscaras descartáveis coloridas, personalizadas
Que combinam com o tema atual do seu Band-Aid.

Denguestyle? Fale com agente!

O homem.


Uma boneca russa, sendo compulsivamente aberta ao som de Tchaikovsky.



Além de não poder andar nu

A coisa mais injusta da cidade é ter que se esforçar pra ver as estrelas.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O mar ontem


VeIO LENTAMENTE

Abriu minhas pernas, sugou minhas coxas.

Rasgou minha saia e partiu.


Hoje me acordou como se nada tivesse acontecido.

Riso morno, com cheiro de leite e algacafé.


O mar não é salgado por lágrimas.

O mar é salgado por suor de moça.


Sobre o mundo ser pequeno e Carol gostar do meu cabelo.

Sobre a invencionice do charme.

- Você é cheia de charme.

- O que é charme, Carol?

- É desejar com o olho. Você deseja tudo com o olho.


Carol deu a definição mais bonita de mim.

E as coisas, não apenas desejadas – já deglutidas, concordam impotentes na minha barriga.

Eu sou o cúmulo de deus, Carolina.

E os meus cabelos são teus.

E você é meu vinho.

Brindo e bebo.

Acabou Carol.

sábado, 25 de abril de 2009


Faria-te um quarto, com o mar dentro

E deixaria sempre o sol na altura que tu quisesses

Eu riria você, andaria você, não te deixava ficar triste

Porque é a mais bonita das meninas e mesmo assim

Ainda chora.


Vem, te carrego no colo

E sararemos juntas,

as coisas miúdas

e intocáveis



Me dá assim, uma vontade enorme,

De conservar seu sorriso, ou sua pele, conservar.

Brindar formol e morfina

Indagar goela abaixo

Tua beleza tão triste..



Se quiser grudo toda a sua paixão em mim

E deixo que ela me corroa por inteiro

Pra que você não chore mais, princesa.

Pra que você não chore mais.


Vem que eu finjo lágrima com você

E te seco com meus cabelos

Com meus detalhes

Se quiser nem te seco.




Menina: Por você eu nunca morreria.

Menina: Você me dá vontade de chorar.

Sábado no trabalho.

Nós dois, indo pra faculdade:


Ele- Por que o jacaré tem papo amarelo?

Ela- Porque ele é da família dos bem-te-vis.

Ele- E ele voa?

Ela- Não. Ele pertence a uma das raras espécies de anfíbios que não tem penas.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Retrospectiva.

1 ano.




2 anos.





3 anos.





4 anos.




5 anos.







6 anos.





7 anos.







8 anos.




9 anos.




10 anos.





11 anos.




12 anos.






13 anos.





14 anos.




15 anos.




16 anos.




17 anos.




18 anos.







19 anos.





Hoje, perto dos vinte, arrependimento por ter jogado o último urso de pelúcia pela janela.




Sociedade do tédio em calda ou pus.


Hoje em dia a gente rouba maracujá

E se tiverem dois maduros, roubamos dois

Quatro ou sete.


Hoje em dia a gente corre com eles

Na cintura, nos coágulos, nos pontos de tensão

A gente nem lembra de chupar os maracujás

E eles continuam apodrecendo nas nossas canelas.